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O trabalho compensa

Judite nunca gostou de estudar. Foi assim que, com apenas 13 anos de idade, ela se mudou para São Paulo com uma conhecida de sua mãe, que a levou para trabalhar. Não que sua mãe tenha aceitado tudo sem objeçõesela bem que insistiu para que a filha fosse estudar, mas o que menina realmente queria era trabalhar. 


O combinado era Judite passar apenas um mês trabalhando em São Paulo, mas, como a mãe dela já esperava, ela foi e não voltouComeçou a trabalhar em casas de família para ter onde dormir, porque não gostava de atrapalhar os familiares ou conhecidos, queria um teto só seu. Fui me virando, não queria dar trabalho a ninguém.” 


Aos 23, Judite descobriu que estava grávida. O pai, porém, não assumiu as responsabilidades e desapareceu de sua vida. Completamente desamparada, o desespero bateu à porta, mas, com a força que sempre teve, ela criou o menino com muito carinho e dedicação na casa onde trabalhava como doméstica, junto com as duas crianças de sua patroa.  


“Aceitaram meu filho e trabalhei lá por 5 anos.” E só não trabalhou lá por mais tempo porque eles se mudaram para os Estados Unidos. Insistiram para que ela fosse e levasse o filho, mas, bem nessa época, a mãe de Judite viajou da Bahia São Paulo para reencontrá-la e cuidar de sua saúde, já precária. Apenas um mês depois, ela faleceu e Judite comemora o fato de poder tê-la visto por uma última vez. 


Judite então ficou desempregada. Mas não por muito tempo: logo ela conseguiu uma vaga na Cooperativa YouGreen. Foi aí que Judite conheceu a reciclagem. “O primeiro contato foi com a esteira, achei bem estranho. Me falaram para ter calma, que no começo todo mundo passa por isso.” Depois, Judite foi aprendendo sobre a esteira, a triagem, a prensa e sobre todos os materiais que podemos e devemos reciclar. Passou por todas as funções da operação e mudou sua visão sobre catadores e sobre o que realmente é o lixo. “É um serviço digno como qualquer outro. Sinto muito orgulho de trabalhar, me sinto bem. 


Hoje, aos 56 anos, Judite Pereira de França pensa em trabalhar para si mesma. Fala até de abrir uma Cooperativa de Reciclagem para, assim como a YouGreen fez com elapoder ajudar mais pessoas que se encontram desempregadas no país. 


Ela, que tanto gosta de trabalhar, quer oferecer esse prazer ao máximo de pessoas.