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Catadora com orgulho!

Helena Aparecida da Silva tem 51 anos e uma vida inteira de experiência no mundo da reciclagem.  


Vinda da Bahia, mudou-se para São Paulo aos 8 anos com sua família, que buscava emprego e uma maior qualidade de vida. Mesmo com o frio severo que fazia à época e sua pouca idade, Helena saía pelas ruas com o pai — que trabalhava como catador a fim de aumentar a renda obtida como pedreiro — para coletar materiais recicláveis usando uma carroça improvisada. As refeições daqueles dias eram resumidas à sardinha com sal e farinha, mas, mesmo com as dificuldades, Helena guarda boas memórias dos tempos em que ajudava o pai como podia e enxergava tudo como uma grande aventura. 


Já adulta, por necessidade, trabalhou durante anos em um aterro sanitário. Porém, diferente da infância, ela não guarda as melhores memórias desse período difícil“Aquilo não é vida pra ninguém”, conta a baiana radicada em São Paulo, que até chegou a trabalhar de diarista em casas e empresas, mas que, de um jeito ou de outro, sempre acabava voltando para onde seu coração mandava: para a coleta de materiais recicláveis.  


Quando estava grávida do que seria o seu segundo filho, foi abandonada pelo marido que lhe deixou à própria sorte, sem nem ao menos cumprir com a obrigação de garantir à mãe de seus filhos qualquer tipo de auxílio. Depois de muito bater cabeça buscando maneiras de conseguir o sustento necessário às crianças, decidiu levá-las para coletar materiais, de bairro em bairro, quase que como uma homenagem ao pai. E, mais uma vez, a reciclagem fez a diferença na vida de Helena: com honra e respeito, ela conseguiu criar seus filhos, feito do qual sente um enorme orgulho. 

Fiz tudo com dinheiro da reciclagem, por ser uma catadora.” 


Hoje em dia, trabalha - por vontade própria - na Cooperativa Filadelphia, uma cooperativa formada somente por mulheres da Zona Leste de São Paulo, cujo principal objetivo é incentivar a autonomia e a liberdade feminina. Com tal propósito, a Cooperativa Filadelphia transforma vidas por meio da reciclagem, da mesma maneira que, há muitos anos, a reciclagem transformou a vida de Helena Aparecida da Silva. 


A reciclagem, além de ter aberto portas pelo caminho, ainda dá à Helena a satisfação de saber que, desde pequena, ela faz a diferença para a sociedade e para o meio ambiente.