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O simples ato de reciclar pode transformar a vida de milhares de famílias

(Enquanto você lê este texto sobre os trabalhos que a reciclagem gera, queremos que um dado não saia da sua cabeça: apenas 1% do óleo de cozinha usado no Brasil é reciclado.)

Engana-se aquele que pensa que os benefícios da reciclagem são exclusivamente ambientais. De acordo com o Banco Mundial, em uma estimativa feita em 2015, a reciclagem empregava – formal e informalmente – cerca de 15 milhões de pessoas no mundo, sendo 4 milhões delas só na América Latina. Fica bem fácil de enxergar que o meio ambiente não é o único que sai ganhando quando reciclamos.  

Na verdade, então, a coisa vai bem além: somado às reduções de carbono na atmosfera e às tantas outras vantagens, o reaproveitamento também rende trabalho a um grande número de pessoas de comunidades desfavorecidas, pessoas que ganham a vida coletando e separando resíduos. O impacto da reciclagem, portanto, é também socioeconômico, chegando a um nível em que coletores conseguem ter uma renda fixa que sustenta suas famílias. Tomando como referência os coletores registrados no aplicativo Cataki (que promove a união entre catadores e geradores de resíduos em todo o país), tal renda varia entre R$300 a R$3 mil.

(De novo, não custa reforçar: apenas 1% do óleo de cozinha usado no Brasil é reciclado.)

As pessoas que encontram na reciclagem uma chance de viver de forma digna, muito provavelmente não a encontrariam de outro jeito, isso porque na realidade social do Brasil – e também na de grande parte dos países do mundo – as oportunidades de trabalho das classes mais baixas ou não existem ou são extremamente precárias, tanto em condições quanto em remuneração. O Brasil foi o primeiro país a efetivamente reconhecer as contribuições de coletores, integrando-os a sistemas de gestão de resíduos sólidos e também, por meio da Política Nacional de Resíduos (2010), proporcionando-lhes um enquadramento jurídico para que cooperativas possam ser contratadas como provedores de serviço. A partir daí, países como Colômbia e Índia foram na mesma toada.

E falando especificamente sobre a reciclagem do óleo (lembra que apenas 1% do óleo de cozinha usado no Brasil é reciclado?), o potencial de geração de trabalho e renda dessa vertente tão pouco explorada é gigantesco. E “gigantesco” sem exageros, pois, pensemos: se a estimativa de produção de óleo de soja no Brasil em 2018 foi de 8,5 milhões de toneladas (segundo a Abiove), reciclar um quinto dessa quantidade já seria o suficiente para mudar a vida de inúmeras pessoas – e isso pensando em uma estimativa bem conservadora.

Os dados estão aí e são bem claros: o seu óleo de cozinha reciclado resulta em um sem-fim de melhorias para o meio ambiente, mas também, e não menos, para a vida das pessoas.

Em outras palavras, não faltam argumentos para começar a reciclar.