Artigos

Vale a pena separar os resíduos recicláveis por cores?

A Resolução 275 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), de abril de 2001, estabelece um código de cores-padrão para cada um dos diferentes tipos de resíduos. A finalidade da resolução é incentivar a separação do lixo – seja por indivíduos, seja por empresas – e criar nas pessoas uma consciência de descarte correto.

A relação de cores definida pelo CONAMA é a seguinte:  

Azul – papel/papelão; Vermelho – plástico; Verde – vidro; Amarelo – metal; Preto – madeira; Laranja – resíduos perigosos, como pilhas e baterias; Branco – resíduos hospitalares e de outros serviços de saúde; Roxo – lixo radioativo; Marrom – lixo orgânico; e Cinza – lixo não-reciclável, contaminado ou de separação inviável. 

No entanto, a grande questão que fica é: na realidade brasileira, a separação do lixo reciclável por cores vale mesmo a pena? 

De maneira geral, a resposta é simples: não, a separação por cores não vale a pena aqui no Brasil. Isso porque 1) as unidades de triagem de materiais do lixo doméstico – base do processo de reciclagem do Brasil – atuam com apenas uma linha de produção que separa todos os materiais coletados, o que quer dizer que todos os recicláveis vão para uma mesma esteira para só depois serem separados, fazendo com que a separação prévia do lixo reciclável seja praticamente supérflua; e 2) as etapas que compõem a coleta seletiva no Brasil não estão preparadas para aproveitar a segmentação por cor, pois ela só é efetiva com caminhões de coleta com separação para os diferentes materiais e cooperativas especializadas em cada tipo de resíduo, coisa que a realidade brasileira está longe de oferecer. 

Em suma, o principal problema da Resolução 275 é que, por ser inspirada em modelos de países desenvolvidos, ela é incompatível ao panorama atual da reciclagem no Brasil. 

A justificativa mais utilizada para a utilização do sistema de cores é o caráter pedagógico dele, um sistema básico de cores seria uma solução didática à desinformação das pessoas. Porém, considerando as maneiras com as quais as informações são absorvidas hoje em dia, outros esforços mais efetivos poderiam estar sendo feitos, como esforços educomunicativos, decerto mais atrativos e apropriados à população.

A verdade é: para que a reciclagem no país seja de fato “incentivada, facilitada e expandida”, como prevê a Resolução 275, é imprescindível começarmos a pensar em sistemas de reciclagem que compreendam a realidade brasileira – seja ela for.