Artigos

Ralo e óleo: um caso tóxico

Talvez você já saiba, mas sempre é bom bater na tecla: pias, bueiros, ralos e guias de calçada NÃO podem ser o destino do seu óleo de cozinha. Os negativamente impactados por essa prática nada sustentável são 3: o encanamento da sua e de outras casas, os corpos d’água (rios, lagos e mares) e, claro, você mesmo. 

Para entender em plenitude como esses impactos negativos acontecem, é necessário primeiro entender o que é uma caixa de gordura. Trata-se de um equipamento – fundamental em qualquer sistema hidráulico – que age contra entupimentos causados por dejetos oriundos da cozinha. É nela onde a gordura fica retida, sem conseguir circular pela tubulação. Se a caixa de gordura estiver entupida (o que vira uma possibilidade quando o óleo é descartado de maneira incorreta) o problema pode ser custoso – em todos os sentidos –, pois isso quer dizer que o sistema de encanamento corre sérios riscos de estar comprometido. E o trabalho para limpar a caixa de gordura não é nada simples e, se for o caso, ele deverá ser aplicado em TODO o encanamento, não somente na caixa.  

Ou seja, é tempo e dinheiro indo diretamente pelo ralo

E ainda tem mais: se o óleo não ficou retido na caixa de gordura, ele pode ir ou para uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) – onde acaba por obstruir o fluxo do esgoto – ou então para um corpo d’água – para um rio, um lago ou um mar.  

O impacto desse óleo nas águas depende da carga de esgoto que o efluente contém. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA 430/2011) estabelece limites para o lançamento de óleos vegetais e gorduras animais em corpos hídricos: quando descartada na rede de esgotamento sanitário, a concentração de óleo deve ser INFERIOR a 50 mg por litro. De acordo com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), esse limite estabelecido pelo CONAMA já é o suficiente para poluir mais de 25.000 litros de água, o que já constitui um GRANDE volume aquático.  

Um possível malefício é a diminuição de oxigênio dissolvido na água, porque o óleo origina micro-organismos que tentam degradá-lo e que, concomitantemente, consomem oxigênio em excesso. Essas condições podem resultar na morte da fauna aquática.

Outras residências, portanto, são afetadas pelo descarte indevido do óleo de cozinha, não só a sua e a de outras pessoas: ralo e óleo danificam também a residência de vidas marinhas.