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PNRS – Brasil a passos de tartaruga

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é uma lei que tem como objetivo atribuir responsabilidades ao poder público e à população em geral sobre a gestão dos resíduos sólidos. Em 2010, ano em que foi aprovada, eram somente 443 cidades com algum sistema dedicado à coleta seletiva. Em 2018, o número aumentou: foram 1227 (22% das cidades do país). Mas são poucos os motivos para comemorar. 

Apesar do crescimento notável, nem sempre a coleta atinge todo o território e todos os moradores dessas 1227 cidades. Além disso, a grande maioria delas se concentra no Sudeste e Sul. Os números comprovam isso de maneira eloquente: dos municípios constados no levantamento, 83% são dessas duas regiões.

Se há dúvida de que o Brasil ainda deixa – e muito! – a desejar no quesito coleta seletiva, aqui vai outro número de eloquência acachapante: 78% do total dos municípios brasileiros não têm nenhum tipo de organização ou recebimento de recicláveis. 

Quando aprovada, a PNRS previa que até 2014:  

– os municípios tivessem coleta seletiva implantada; 

– que os lixões fossem extintos; 

– que fosse construído um sistema nacional de dados.  

Porém, nada disso aconteceu. 

Um dos principais empecilhos para que cheguemos a resultados realmente positivos é a falta de um planejamento local, de modo que os estados e os municípios pensem localmente em como alcançar os objetivos estipulados pela PNRS. 

A situação é lamentável, ainda mais se considerarmos que o modelo brasileiro de coleta seletiva, quando executado da forma correta, é exemplo na inclusão socioeconômica dos catadores e coletores. 

A PNRS traz uma série de oportunidade que poderiam estar sendo exploradas para melhorar o gerenciamento dos resíduos sólidos em nosso país, mas isso não vem acontecendo de forma efetiva. É por isso que movimentos como o Óleo Pelo Futuro são importantes, para que haja uma mudança de mentalidade.  

Se o investimento na coleta seletiva fosse maior, todo mundo sairia ganhando. 

O mundo inclusive.