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Tatiana, uma guerreira

Tatiana de Souza, de apenas 22 anos, não tinha o hábito de reciclar quando era mais nova, mas tinha em casa uma grande inspiração para começar: sua irmã Vanessa, atual presidente da cooperativa FiladélphiaDesde pequena, Tatiana acompanhou de perto história dirmã toda a sua luta para transformar o lugar onde trabalhava em uma verdadeira cooperativa“Eu avia sofrendo, sempre correndo atrás das coisas.” 


Começou, então, ainda adolescente, a trabalhar com a irmã. Ela descreve esse período em que começou na cooperativa como uma grande mudança em sua percepção geral da vida: Se pudesse definir, definiria como transformação, de caráter e de capacidade.” Já são 7 anos trabalhando na cooperativa, pelos quais é eternamente grata, pois aprendeu tudo que podia sobre o descarte correto de materiais. Antigamente, em casa, eu misturava todos materiais; hoje não faço mais isso e, sempre que possível, ensino as pessoas a fazerem igual.” Foi a partir desse aprendizado que passou a diferenciar o que era e o que não era lixo, quando enfim começou a separar cada um na própria casa. 


Como agora sabe muito bem, ela e mais centenas de milhares de pessoas no Brasil dependem do dinheiro da reciclagem para viver. É com isso em mente que ela deseja que as pessoas um dia tenham mais consciência, porque isso aqui é o nosso sustento, o nosso ganha-pão: para sobreviver, precisamos recolher o material. 


Atualmente, a jovem Tatiana – que em outros tempos sequer sabia o que era coleta seletiva – pensa em estudar, entrar em uma faculdade e continuar a trabalhar com reciclagem. O que mais quer é crescer na vida e adquirir um novo galpão para sua segunda casa, a cooperativa Filadélphia. Um galpão com o qual ela e as outras mulheres da comunidade possam continuar a fazer um trabalho socioambiental, mas com um melhor desempenho e mais dignidade.  


Feliz com a própria caminhada e dona de uma maturidade que vai bem além de seus poucos 22 anos de idade, Tatiana de Souza diz com todas as letras: Hoje em dia, tenho meu dinheiro e vejo que, como todas que trabalham aqui, eu sou uma guerreira.