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Sonhar não é pouca coisa

Paulo Henrique Freire da Silva até poderia ser mais uma estatística de um jovem que perdeu a batalha para as drogas, mas não é: essa batalha ele venceu. Em 2013, aos 21 anos de idade, chegou à Cooperativa Rainha da Reciclagem para fazer reabilitação, e hoje é uma nova pessoa, com responsabilidades e motivação para continuar andando para frente. 


“Eu não tinha juízo, não estava nem aí pra nada... Hoje acordo cedo, trabalho, sei qual é meu lugar.” 


Por não aguentar mais a vida difícil que levava nas ruas, lamentavelmente resumida a bebidas e a drogas, encontrou o refúgio que precisava na Cooperativa Rainha da Reciclagem, onde, de acordo com ele, até hoje vive os melhores momentos da sua vida. “É o lugar em que distraio a cabeça.” 


Mas, como muitos que trabalham em cooperativas e vieram das ruas, Paulo Henrique sofreu bastante preconceito: “Me chamavam de ‘nóia’, por conta do meu vício em drogas. Ficavam com medo de deixar coisas perto de mim, achavam que eu ia pegar”, ele desabafa. 


A verdade, no entanto, é que a única coisa que ele pegou foi a oportunidade que a Rainha da Reciclagem lhe deu, agarrou para não largar mais. “Me sinto orgulhoso, pois aprendi muita coisa. Aqui, até mesmo com uma garrafa, dá para se fazer muita coisa.” É essa a visão que ele carrega consigo desde que chegou à Rainha da Reciclagem: do pouco, se faz muito. E ninguém seria capaz de tirar isso dele.  


Hoje, quando falamos de Paulo Henrique, falamos de uma pessoa renovada em busca do seu lugar ao sol, com muitos e muitos sonhos no horizonte: “Quero crescer na vida, não ser mais discriminado. Se for fora daqui, quero ter uma família, construir uma nova história.” 


Para alguém que, poucos anos atrás, estava entregue, sem quaisquer perspectivas pela frente, sonhar não é pouca coisa.