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Reciclagem de vida

Tânia Aparecida Ferreira dos Santos, de 44 anos, nasceu na cidade de São Paulo, em Pirituba. Trabalhava com limpeza em uma firma terceirizada quando decidiu ficar um tempo parada em casa, cuidando da filha, enquanto seu marido, que era porteiro, trabalhava para sustentar a famíliaE as coisas teriam continuado assim se, em 12 de dezembro de 2018, seu marido não tivesse falecido.

  

Sozinha e com uma filha para criar, Tânia saiu à procura de um novo emprego, e, com ele, uma nova perspectiva de vida. Ela achou que demoraria mais para encontrar algo que não exigisse formação ou muitas qualificações, mas, em menos de um mês, a Cooperativa de Reciclagem YouGreen a chamou para uma entrevista. Antes que o ano terminasse, em 31 de dezembro, já estava coletando materiais na esteira.

  

Tânia estranhou quando entrou em contato com os materiais recicláveis pela primeira vez, mas depois percebeu que a reciclagem começava a mudar sua mentalidade e continuou firme, em busca de mais conhecimento e novas experiências proporcionadas pela cooperativa. No começo, pensava que era só pesar os materiais,  depois notei que as coisas têm nome. O saquinho de mercado tem nome, o galão de cândida tem nome, a caixa de leite tem nome, todos os materiais têm nome.”

  

Além de proporcionar a renda para sustentar a filha, o trabalho fez com que Tânia conhecesse outras pessoas e outras formas de viver, o que mudou completamente suas ideias tanto sobre o trabalho de reciclagem quanto sobre si mesma“Uma amiga falou para eu arrumar alguma coisa melhor do que mexer com lixo. Acho que até eu, na minha ignorância, pensava igual. Mas depois mudei de ideia, é totalmente diferente do que a gente imagina. 

 

Hoje, a transformação causada pela reciclagem faz com que Tânia sinta vontade de aprender mais com a vida e encontrar uma nova perspectiva para continuar buscando seus objetivos“A dona de casa, acredite ou não, agora arca com o sustento do próprio lar. A reciclagem recicla a gente também. Faz com que eu me desafie.

  

Atualmente, Tânia pode fazer de tudo, como aprender a dirigir ou aprender um novo idioma. E isso é o suficiente para fazê-la feliz.