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A semente da reciclagem

Vicente Fernandes Procópio e seus cinco irmãos nasceram em Santo André, na Grande São Paulo. Ainda novo, perdeu três desses irmãos e, aos 8 anos, já estava envolvido com o mundo das drogas.

 

Dentro dessa difícil realidade, Vicente começou a escrever diários com 14 anos. Quando conheceu o rap, aos 18, passou a escrever poesia rimada com o objetivo de transformar suas frustrações em arte. Mas nem isso foi suficiente para resgatar Vicente dos maus caminhos. As drogas e os abusos constantes do padrasto fizeram com que ele saísse de casa, ainda que sem quaisquer perspectivas de outro lugar para morar que não as ruas, o que o forçou a aprender a sobreviver com os julgamentos alheios e a fome. 


Muita gente vê o vício como fraqueza ou pouca-vergonha, mas a verdade é que isso é só a ponta do iceberg.

 

Hoje em dia, com 40 anos, é pai de dois filhos e está em sua terceira internação na Casa de Recuperação da Cooperativa Rainha da Reciclagem, onde ele afirma encontrar aquilo que realmente o liberta.  


Quando chegueinão conhecia nada de reciclagem. Mas alguém me olhou e viu potencial. Poucas pessoas fizeram isso.

 

A reciclagem transformou completamente a vida de VicenteAlém de toda a experiência adquirida na cooperativacursou sustentabilidade e empreendedorismo e tornou-se diretor da mesa em que os materiais são triados, ajudando os novos internados da Casa de Recuperação.

 

É difícil, mas não impossível. Sempre dá para trabalhar e aprender.

 

E ele pretende continuar ajudando a todos que o ajudaram até agora, principalmente a Rainha da Reciclagem, que o acolheu como família. 


“Sou essas pessoas ontem, hoje e amanhã. Isso é o que importa. “

 

Vicente define sua trajetória como uma semente: para germinar, é enterrada na terra e, claro, demora a vingarE a espera aqui valeu a pena: dessa semente nasceu uma linda história