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A satisfação, a alegria e a motivação de uma mulher cooperada

Moradora da comunidade do Aricanduva durante toda a vida, Shirlene Gomes da Silva, de 37 anos, se orgulha de ter conquistado tudo o que tem hoje com o trabalho de reciclagem. 


Desde pequena, Shirlene puxava carroça com a mãe pelos bairros da Zona Leste de São Paulo, onde aprendeu tudo sobre materiais recicláveis. Continuou a trabalhar nas ruas até conhecer Vanessa, a atual presidente da Cooperativa Filadélphia, que a convidou para se tornar uma cooperada, junto a outras mulheres da comunidade. Shirlene, que já tinha experiência, aceitou o convite, mas no começo encontrou dificuldades para se adaptar. Como catadora, ela recebia dinheiro aos fins de semana; na cooperativa, só no fim do mês.  


Mesmo assim, ela persistiu na cooperativa. Foi pela decisão de ficar que ela passou a conhecer ainda mais o universo da reciclagem e do cooperativismo - universos que tanto mudaram sua vidaTrabalhamos dentro do administrativo, no escritório, na triagem, no monte, fazemos de tudo.   


O aprendizado permitiu que Shirlene sustentasse os sete filhos — cinco meninas e dois meninos — e organizasse sua vida. Também permitiu pequenos luxos que, antigamente, não seriam possíveis, como sair para comercomprar presentes e se divertir com a família.  


“Por que as pessoas não dão mais chances para a reciclagem da mesma forma que a reciclagem dá a tantas outras pessoas?”, é o que Shirlene se pergunta com frequência, por hoje saber tudo que a reciclagem pode fazer pela sociedade e pelo meio ambiente. Se as pessoas pudessem ver a reciclagem da forma que eu vejo, não existiria tanto lixo no planeta, tanto material desperdiçado em bueiros causando enchentes e desabrigando gente.  


Mas ela não desanima por nada. A oportunidade de ajudar as mulheres a serem autônomas e, ao mesmo tempo, garantir um futuro melhor para seus filhos e para as próximas gerações, é, sem dúvidas, a maior satisfação, alegria e motivação da cooperada. “Quando perguntam se eu trabalho com lixo, respondo que sim, com orgulho. Do lixo eu tiro o sustento para criar meus filhos. Não tenho vergonha de dizer isso.”  


Aliás, essas três palavras definem bem a trajetória Shirlene: satisfação, alegria e motivação.