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A história de um homem livre

Fábio Santos Rodrigues chegou à São Paulo, vindo da Bahia, aos 3 anos de idade e não saiu desde então. Foi em solo paulista, portanto, que viveu uma história de muitos baixos. Com uma família ligada ao crime, Fábio cresceu com modelos parentais problemáticos e não demorou muito para que começasse a seguir o exemplo errado deles. Na adolescência e no começo da vida adulta esteve envolvido em roubo, tráfico outras situações sobre as quais nem gosta de falar.  

 

Felizmente, Fábio encontrou na reciclagem uma chance de mudar sua vida.  

 

Há três anos, quando mais precisava de ajuda, conheceu, através de um amigo, a cooperativa Rainha da Reciclagem – localizada na Zona Leste de SP. Apesar das idas e vindas, ele agora comemora o fato de que está já há quase um ano inteiro trabalhando direto com reciclagem. “Muita coisa mudou na minha vida, graças à Rainha da Reciclagem. O que eu era lá fora, sumiu e, aqui, sou outra pessoa.”  

 

A reciclagem, na verdade, fez por Fábio muito mais do que tirá-lo dos caminhos nebulosos do mundo do crime: a reciclagem deu à sua vida um propósito socioambiental e um motivo para continuar lutando, sem nunca desistir. E esse propósito é reconhecido pela sociedadeo que, para Fábio, faz toda a diferença: “Gosto quando vejo que nosso serviço vale a pena, quando as pessoas reconhecem.” Por essas e outras, o trabalho na Rainha da Reciclagem o salvou do que poderia ser um final trágico.  

 

Quando pedido para definir seu trabalho, da ponta da língua, ele respondeuEu definiria como liberdade. Graças ao lixo, me libertei do que era antes. E agora, vivendo essa liberdade dia a dia, os seus sonhos de construir uma família e montar a própria cooperativa estão mais perto da realidade. Aos 31 anos de idade, ele tem uma vida inteira pela frente, sabendo que os momentos mais baixos dela já passaram.  

 

Hoje, retribui para a sociedade fazendo o bem, como jamais teria previsto há uns anos.  

 

Eu me sinto importante por saber que mudo a vida de outras pessoas, que ajudo o meio ambiente, é por isso gosto do que faço: me sinto muito importante.” 

 

Esse é Fábio Santos Rodrigues: um homem importante e livre.